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Barrar as demissões na Volks com a paralisação de todas as unidades, ocupando as fábricas!
Por Liga Bolchevique Internacionalista -
Sunday, Sep. 03, 2006 at 8:51 PM
lbiqi@hotmail.com
Acaba de ser deflagrada a greve na Volks de São Bernardo do Campo. A paralisação por tempo indeterminado é uma resposta do combativo proletariado do ABC ao anúncio da transnacional alemã de demitir 3,6 mil operários da unidade de São Bernardo e reduzir direitos trabalhistas daqueles que permanecessem na fábrica
TODO APOIO À GREVE NA VOLKS! BARRAR AS DEMISSÕES COM A PARALISAÇÃO DE TODAS AS UNIDADES DA VW, OCUPANDO AS FÁBRICAS ATÉ A VITÓRIA!
Acaba de ser deflagrada a greve na Volks de São Bernardo do Campo. A paralisação por tempo indeterminado é uma resposta do combativo proletariado do ABC ao anúncio da transnacional alemã de demitir 3,6 mil operários da unidade de São Bernardo e reduzir direitos trabalhistas daqueles que permanecessem na fábrica, como mudanças no banco de horas e punição por “erros” na produção. Futuros contratados teriam redução salarial média de 35% em relação aos vencimentos pagos hoje.
A VW já está enviando as cartas para uma lista de 1.800 funcionários que serão demitidos a partir de 21 de novembro sem os “incentivos” do plano de reestruturação e quando acaba o acordo de estabilidade de emprego da unidade. A empresa anunciou ainda que, caso os trabalhadores escolham o caminho da luta direta, como a greve iniciada na tarde desta terça-feira, dia 29, estuda fechar a fábrica da Anchieta, sua primeira unidade no Brasil. A desativação desta unidade, uma das cinco da transnacional alemã no Brasil, levaria à demissão de mais 2.500 operários, além dos 3.600 previstos no plano atual.
O clima de chantagem contra os trabalhadores acentuou-se em maio, quando a VW anunciou corte de 6 mil trabalhadores até 2008 das fábricas de São Bernardo, São José dos Pinhais e Taubaté. Esse ataque é mundial. No dia 19/08 iniciou-se uma greve na Volkswagen do México que terminou na última quarta-feira, 23/08, após acordo entre os sindicalistas e a patronal. Os grevistas exigiam um aumento salarial de 8,5%, mais 2,75% em encargos. Apesar de não verem atendidas as suas reivindicações, os trabalhadores vão receber um aumento salarial de 4 %, mais benefícios que equivalem a 1,5 % extra. Em um ano, só na fábrica de Puebla – México, já foram demitidos 1.700 operários.
VW TEM LUCROS ESTRATOSFÉRICOS
Só no 2º semestre a Volks aumentou o seu lucro em 150%! Foi a montadora que mais apostou nas exportações feitas a partir do Brasil desde que o preço do dólar descolou-se do real, em 1999. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes e Veículos Automotores (Anfavea) mostram que o peso das exportações nas vendas da empresa triplicou de 1999 a 2004, atingindo 47%, mantido até agora. A participação da Volks nas exportações do setor dobrou, responde por 40% dos veículos embarcados. A Volks adotou uma estratégia de produção direcionada para as vendas ao exterior. Hoje, 43% dos automóveis produzidos no Brasil são destinados ao mercado externo. A mesma Anfavea afirma que as exportações de automóveis brasileiros no primeiro semestre deste ano somaram US$ 5,57 bilhões e superaram o recorde do mesmo período de 2005. Mesmo com todo esse volume de vendas a empresa alega que não conseguiu o retorno financeiro esperado, a despeito do pico de vendas e do resultado positivo de 2004.
Apesar de todos os chamados “erros” gerenciais da VW, a empresa continua operando no azul, com lucros estratosféricos. Porém, a matriz alemã quer mais e o caminho escolhido pela filial para reforçar os lucros é cortar custos com trabalhadores. Não custa lembrar que um operário da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) recebe por hora sete vezes menos do que o trabalhador da Volks da Alemanha. Já a unidade da Volks do Paraná paga aos funcionários 60% do salário de São Bernardo do Campo.
GOVERNO LULA E BNDES FINANCIAM MONTADORAS QUE ATACAM OS TRABALHADORES COM DEMISSÕES
O BNDES já liberou durante o governo Lula R$ 5,853 bilhões para as montadoras, de 2003 até junho de 2006. O valor foi destinado para GM, Fiat, DaimlerChrysler, Ford, Renault, Toyota, Volkswagen e Volvo, segundo dados do próprio banco.
Como resposta aos gordos subsídios estatais recebidos, as montadoras atacam com demissões em massa. Só a Volkswagen, que ameaça fechar a fábrica de São Bernardo, caso não for negociado acordo para demitir parte de seus 12,4 mil funcionários, recebeu R$ 1,656 bilhão neste período, o que representa 28,3% do total.
Em abril deste ano o banco liberou um empréstimo de R$ 497 milhões à empresa para a expansão e modernização de sua produção. Em novembro de 2005, o BNDES já havia liberado US$ 303 milhões para a Volks. Ou seja, a população trabalhadora paga para a Volks ter lucros e ainda demitir. Além disso, a Volks já recebeu R$ 700 milhões de isenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) concedida pelo estado de Paraná, em dez anos.
O mais escandaloso é que os mais recentes empréstimos do BNDES concedidos a Volkswagen foram financiados com dinheiro do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT), política defendida pela própria CUT.
O próprio BNDES vinha afirmando que, tecnicamente, o empréstimo “não tem vícios”, pois está desvinculado do plano da Volks, anunciado em maio. Agora o governo Lula, frente ao escândalo de financiar as demissões dos trabalhadores via empréstimos às multinacionais, alega que o empréstimo foi aprovado pela diretoria do BNDES em abril, antes do anúncio do plano de demissões da montadora, anunciado em maio. A VW declara perdas com as exportações decorrentes do câmbio valorizado.
Como o dinheiro ainda vai ser repassado e o ABC paulista é uma forte base eleitoral de Lula, Marinho e os sindicatos cutistas querem fazer um arranjo político com a VW, como bravateia o Ministro do Trabalho “O dinheiro do BNDES não pode ser usado em fechamento de fábrica” (Carta Capital, 29/08). O “detalhe” é que mais de 1 bilhão de reais já foi e vem sendo usado com esse fim desde o início do governo da frente popular!
Até agora, o banco vinha dizendo que o financiamento não tinha relação com as demissões e que, por isso, seria mantido. Nesta segunda-feira (29), no entanto, a instituição mudou de idéia, depois da reunião que o presidente do BNDES, Demian Fiocca, e os ministros Luiz Marinho (Trabalho) e Dilma Rousseff (Casa Civil) tiveram com a diretoria da Volks. Segundo Fiocca, a ameaça de fechamento da unidade do ABC é um “fato novo” que o BNDES precisa levar em conta na operação de financiamento.
A Volks, aproveitando a conjuntura eleitoral, ataca uma das bases fundamentais de Lula, os metalúrgicos, para conseguir mais concessões, novos financiamentos e redução de impostos.
SINDICATO DO ABC E BUROCRACIA GOVERNISTA DA CUTSABOTAM REAÇÃO DIRETA DOS TRABALHADORES
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijó, vinha adiando a greve, mas a pressão dos trabalhadores obrigou o sindicato a encabeçar a luta. Pressionado pela base da categoria, Feijó afirmou que os metalúrgicos de São Bernardo não vão aceitar as condições colocadas pela Volks.
Ao longo da crise, a burocracia vem buscando costurar alternativas para as demissões que se enquadram na política da direção nacional da CUT de garantir os empréstimos aos grandes capitalistas com “cláusulas sociais”. Para o presidente nacional da CUT, Artur Henrique da Silva, o caminho para “diminuir as possibilidades de que braços-de-ferro voltem a se desenrolar nos patamares do atual caso Volkswagen é a exigência, em todos os empréstimos e investimentos públicos voltados a atividades privadas, de contrapartidas sociais. A mais importante das contrapartidas exigirá da empresa tomadora de empréstimo em bancos públicos, no mínimo, a manutenção do nível de emprego registrado quando da assinatura do contrato ou, ainda melhor, a geração de vagas. Após os 12 meses de carência para o início da quitação do empréstimo, a empresa que descumprir a cláusula pagará juros tradicionais. É injusto que corporações que se ancorarem no BNDES e outros órgãos estatais de fomento usem as demissões como primeira alternativa a problemas de gerenciamento e de caixa” (Sítio da CUT, 28/08). Esse caminho coloca os operários a reboque do governo Lula e suas negociações com as multinacionais, eliminando a luta direta das massas como elemento central para derrotar a ofensiva patronal, ao mesmo tempo que mantém a transferência do dinheiro dos trabalhadores para a burguesia.
CONLUTAS E ATIVISTAS CLASSISTAS METALÚRGICOS DEVEM IMPULSIONAR JÁ UMA CAMPANHA PELA GREVE NACIONAL NA VW COM OCUPAÇÃO DE FÁBRICA!
A coordenação nacional da Conlutas lançou uma nota intitulada “Em defesa do emprego dos trabalhadores da Volks”. Nela, apesar de corretamente denunciar o lucro estratosférico da transnacional e os empréstimos bilionários do BNDES para a VW conclui: “É preciso exigir um posicionamento firme do governo Lula contra as chantagens e as ameaças de demissões na montadora”. Por sua vez, limita-se, ao final do texto, a declarar que “A Conlutas apóia incondicionalmente a luta dos trabalhadores da Volks em defesa dos seus empregos e direitos” (São Paulo, 22 de agosto de 2006, Conlutas).
Os companheiros da corrente metalúrgica Ferramenta, ligada ao PSTU e os ativistas classistas da Conlutas devem apontar um outro programa. Frente à ameaça de demissões, o caminho é a luta direta, fortalecendo a greve deflagrada na Volks-SBC, estendendo-a para todas as unidades da VW com ocupação de fábrica.
Como parte dessa luta deve estar colocada o fim dos empréstimos do BNDES às transnacionais, a redução dos ritmos de produção, a redução da jornada sem redução de salário, a escala móvel de salários, onde os contratos coletivos de trabalho devam assegurar aumento automático dos salários, de acordo com a elevação dos preços dos carros e a escala móvel por horas de trabalho, para absorver a mão de obra metalúrgica desempregada. Com essa medida o trabalho disponível deve ser repartido entre todos os operários existentes e esta repartição deve determinar a duração da semana de trabalho, com o salário médio de cada operário sendo o mesmo da antiga semana de trabalho. Não ao banco de horas!
Por fim, frente a ameaça de fechamento da fábrica da Volks da unidade de SBC, é preciso defender a estatização da empresa sob controle dos trabalhadores e sem nenhuma indenização para a parasitária matriz alemã. Até a vitória!
29 de novembro de 2006
Liga Bolchevique Internacionalista